01 PEIXE FORA D’AGUA (literalmente)

Pesca é a extração de organismos aquáticos, e pescaria é quando ficamos lá tentando extrair os tais organismos, agora…igual a que fiz com o Diego não acontece nunca mais. Eu duvido que o fato se repita. Era uma noite daquelas quando resolvemos juntar alguns amigos em casa e fazer uma rodada de música, vinhos e quitutes. É claro que somos uma turma boa de copo e que acabaram dormindo todos esparramados por camas, sofás, chaises, até o raiar do dia. Já recuperados do teor alcoólico, começaram a partir, menos o Diego que me convidou para irmos pescar, em plena quinta feira. Eu pensei dez vezes, afinal era um dia de sol tímido, e por perto só haviam pesqueiros. Logo eu que gosto é de pescar no rio ou no mar, mas borá lá pensei com meus botões, uma estréia é sempre boa. Pegamos a estrada e dentre alguns pesqueiros fizemos a escolha, alugamos e juntamos as tralhas, saímos caminhando até escolhermos um lugar ao sol. Era um tal de prepara a vara, coloca isca, joga na agua e espera, espera, espera e nada. Do outro lado do lago, um japonês nos fazia acreditar que todos os peixes eram só dele. O raio do nipônico pegava um atrás do outro, e nós lá, alimentando os organismos aquáticos. Por decisão conjunta, fomos tentar a sorte ao lado do japonês. Chegamos de mansinho, com dois sorrisos largos e não correspondidos, então vimos que ele tinha lá a manha de jogar ração na agua.

Que covardia pensei, então ali nossa chance aumentaria em muito, mas que nada…continuamos a nossa saga da espera, e pior, porque era até humilhante a quantidade de peixe que aquele homem tirava daquela agua turva. Já estávamos lá por horas, e uma sensação de sabotagem começava a tomar conta da minha pessoa, que checava os anzóis pra ver se realmente fisgavam, e não é que eram perfeitos!

A tarde caia e a temperatura também, anunciando que a noite seria bem fria, mas mesmo com os pés e mãos congelando, lá estava eu, esperando que o Diego desistisse, porque as minha tralhas já estavam prontas para serem devolvidas. Sujeito teimoso e persistente.

Chamei a primeira vez, chamei a segunda, a terceira, e a quarta, e ele sempre prometendo que seria a última. Me lembro muito bem que já eram quase dezoito horas, quando implorando mandei meu ultimato. Eu vou embora e vou te deixar.
– Essa é a última!, e teria que ser ou seríamos expulsos pelo horário. Diego com a mesma empolgação do inicio, preparou o anzol, e eu ali em pé com esses olhos que a terra um dia vai devorar o assisti, jogar a sua última isca e tirar um peixe enorme da agua. Cristalizei de boca aberta, não acreditando que fosse verdade. O organismo aquático nos fez esperar uma tarde inteirinha pra se render. Entre muitos risos e pulos pra aquecer, documentei o feito, e que feito. Tento entender até hoje se aquele encontro não havia sido marcado. Parece até história de pescador, mas uma coisa vou te falar…esse mundo tem mais mistérios do que se pode acreditar.

AF

*foto real divulgada com a autorização do Diego.

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