Balzaquianas Cinquentonas

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Mil desculpas Sr Honoré de Balzac, não quero incomodá-lo mas, se lhe for permitido me ouvir…Venho pensando há tempos sobre como o senhor mudaria o seu conceito, se hoje estivesse vivo e assistindo as proezas das quais nós, cinquentonas somos capazes. Com certeza teríamos um lugar em suas poesias!
É certo que as mulheres de trinta e quarenta anos são encantadoras, e contam com mais colágeno. Mas nós cinquentonas somos fantásticas , vaidosas, divertidas, excepcionais, magníficas, lindas, experientes (sexualmente), sensuais, inteligentes, espertas, independentes. É isso…a nossa independência é atraente!
Ainda me lembro da minha avó, que aos quarenta anos, era uma senhora no sentido pleno da palavra. Tinha ela seus cabelos brancos assumidos. Nunca trabalhou fora de casa para o seu sustento, e criou um monte de filhos. Usava sempre aqueles vestidos que hoje nos inspira a terceira idade, e essa…nem sabemos direito quando entraremos nela… Então venho aqui reivindicar que essa expressão “balzaquiana”, tão charmosa seja estendida por reconhecimento e mérito a nós, cinquentonas.
Balzaquiana, é uma expressão surgida após a publicação do livro De Honoré de Balzac, chamado “A Mulher de Trinta Anos”, em mil oitocentos e trinta e um, em que fazia apologia às mulheres de trinta a quarenta anos. Suas musas eram a completa oposição das tradicionais moças românticas que nos livros tinham no máximo vinte anos. Vamos entrar em acordo que o Sr Balzac era chegado em uma mulher madura e independente.
Hoje ele enlouqueceria nos braços de uma mulher de cinquenta anos, livre, ou cozinharia e lavaria a louça sob o comando de uma esposa, usando um jeans apertado e seios siliconados, sem sequer incomodar-se.
Citaria em suas poesias as nossas rugas, que estão mais para códigos de barras que traduzem, muita vida e tantas histórias de amores e paixões, vividos em sua maior plenitude.
Se considerarmos que no século dezenove, as mulheres morriam antes dos trinta anos, hoje as musas de Honoré, estariam com o pé na cova. Então no mundo moderno, em que as mulheres por todas as partes, vivem em média setenta e cinco anos, não se torna justa a nossa reivindicação?
É indiscutível que balzaquiana é sinônimo de mulher de 30 anos. O que é discutível, são os adjetivos que compõem o estigma, ou o elogio, que o termo representa.
Senhor Balzac, de todo o seu respeitável legado ficcionista e filosófico, nenhum foi tão perene quanto a expressão “balzaquiana”, que nunca envelheceu, bem ao contrário das suas mulheres de trinta, que inevitavelmente terão que se despedir do apelido literário para se transformarem em quarentonas, cinquentonas e sessentonas. Senti na pele as evoluções e transições de cada década.
Contudo não deixaremos de usar calça jeans, biquinis, cabelos compridos, e tudo o que nos deixe com a nossa auto-estima bem elevada, já que tudo parece girar em torno dela, nossas conquistas amorosas, pessoais e profissionais.
Certamente o que mais importa, é que mais a frente, a melhor idade nos espera.
Vida longa à maturidade!
AF

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