Era Carnaval…

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Eu vinha pela madrugada, pela avenida toda iluminada…angústia , solidão, um triste adeus em cada mão…esse ano não vai ser igual àquele que passou..bandeira branca amor…

Lindo carrossel humano, girando no sentido horário, procurando um par no anti-horário.

Um olhar na prima volta, um sorriso na segunda, um consentimento e o Pierrot e a Colombina dançavam pela noite, e pela dança! Recompensa de meses a fio, planejando os blocos, criando e bordando as fantasias, para apenas quatro noites de folia. Mas seriam quatro noites de ilusão e de alegria. Foram tantos os amores nascidos em meio aos confetes e serpentinas. Tenho até uma irmã que conheceu seu marido bem ali no carrossel e estão juntos até hoje, sendo a prova viva de que um amor de carnaval não vira cinzas na quarta feira.
O baile era de respeito e o que parecia desrespeito, era um tubo de lança perfume escondido nos bolsos, dos mais ousados! Tinham lá o fulano, ciclano e beltrano que eram eleitos os “pãozinhos”, os foliões tão desejados, os que teriam direito aos beijos na sacada. E o mundo girava, girava ao som de ” meu coração, não sei porque, bate feliz, quando te vê…e os meus olhos, ficam sorrindo”, e sorriem até hoje lembrando da Rita, Pedro, Carlos, Raquel, Luiz Antonio, Carmen, Irineu, Dulce, Ronaldo, Claudia, Fernando e ………………..tantos outros! Foram anos inesquecíveis os daqueles carnavais.
Aquelas noites deveriam ser tão eternas, quanto os nossos desejos de encontrar um amor em meio as fantasias, ou fantasias eternas de desejos de amor! E então, entre um “doutor, eu não me engano, meu coração é corintiano e uma sogra que se mandou com o coração de um jacaré”, nos divertíamos muito. Era tanta pureza que essas lembranças parecem ter saído dos contos de fadas! O “não vai dar, não vai dar não?…era só mais uma marchinha dando passagem a outro estandarte puxando as melindrosas, os marmanjos de fralda e chupeta, as havaianas, naquele salão que era de uma imponência palaciana!
E o baile seguia, desmanchando algum par aqui, outro ali, mas formando tantos novos ao som do rancho da goiabada…cigarro e um beijo de uma mulata, chamada Leonor ou Dagmar, amar…
Quando a orquestra anunciava o final, era como se o mundo fosse acabar, batia uma tristeza e um desejo de que tocassem sem parar e para sempre. Mas teríamos mais uma noite, pra tudo se acabar na quarta feira.
Lins, nos apaixonou, renascença menina..

AF

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