EU TENHO TINNITUS

É no meu maior silêncio, que ouço o som da minha mente, meio chiado como o dos antigos rádios transistorizados e mal sintonizados. Tento traduzir esse zumbido, que depois de tanto vasculhar tentando elucidar a sua presença em minha mente, desisti e resolvi conviver em paz, até porque não existe tradução, ou melhor…em inglês se chama tinnitus. A melhor explicação que encontrei, foi a de não existir uma explicaçāo e nem mesmo um motivo, aliás nem existe nada, é uma percepção auditiva que não corresponde a nenhum som real. Legal, tenho um fantasma impregnado em mim, que durante o dia dorme camuflado entre milhares de decibéis e na calada da noite reaparece disfarçado de cachoeira, panela de pressão, caixa de marimbondos entre outros. Não é fácil, realmente não há o que fazer a não ser ignorar e aprender a conviver. Posso confessar que muitas vezes converso com meu zumbido…naquelas noites em que não consigo dormir, e busco incansávelmente respostas para alguns questionamentos, que eu juro poder ouvir respostas vindas dele, parece loucura è verdade…mas esse zumbido sussurrado, cantado me encanta às vezes, por me fazer até crer que tenho um sexto sentido de verdade. Por outro lado, vivo o desespero de carregar o fardo de mais de vinte anos sem meu silêncio absoluto, inventando diálogos internos, debates ou entrando em estado de grande confusão, quando o danado resolve aumentar o tom. Definitivamente não é dessa voz interna que Osho se referiu, essa não dá poesia. Só me resta suportar o danado no silêncio da noite, esboçar poemas, deixar fluir meu pensamento, dar asas a minha imaginação, e tentar encaixar o sonhado silêncio onde ele jamais caberá.
AF

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