O CAZZO DA TV A CABO

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Uma revolução acontece com o mundo lá fora. Enquanto eu só e quase sofrendo um colapso, uma transformação, assisto aos sanguinolentos jornais, que tanto me assustam, deformando a minha face e afetando a minha bela alma.
Meu corpo já cansado não é uma máquina capaz de absorver tantas notícias de brutalidades, como espera a famigerada ciência. Nem descartar todas as culpas como ensina a religião. O meu corpo seguramente é perene, mas quer viver em festa.
Tento passar pela vida, divando…dando o meu melhor, cicatrizando todas as feridas das entranhas. Esfolio até o meu âmago, e ai vem você…ai dentro dessa caixa estranha em alta resolução, só me falar de desgraça! Sei que és bem pago pra isso, mas ainda assim me pergunto…se dormes. Porque o meu sono, por muitas vezes, roubas.
Parece não haver solução pra nada. Roleto o controle, e só enlatados e telenovelas falidas por todos os lados, tento uma programação tardia, e encontro o sinismo de alguns “vira-casaca”.
Até as peles mais sedosas, que serviam de inspiração há anos atrás, foram completamente e literalmente desmascaradas. Santos pixels que me fizeram economizar com as terapias.
Resolvo me individar um pouco mais, comprando supérfluos lindos e coloridos, que vão desde enxovais até eletrodomésticos.
E a sanguinolência lá…jorrando em hebraico, árabe, inglês…e português.
Zapeio entre a leveza de um elefante com um minuto de vida em Nairobi, um leão albino raro no Tibet,  e as receitas dos Master Chefs que invadiram o planeta com seus maçaricos ameaçadores. Escuto e papagaio por horas a RAI.
Um encontro rápido com os Simpsons e abro outro vinho, passeio nos canais chamados de adultos…sem graça, não possuem o erotismo das Nove e Meia Semanas de Amor, do Último Tango em Paris, capazes de me livrar da saudade e solidão.
São mais de duzentos canais que só servem pra causar dubiedade.
Me lembro como era bom o chiado da TV e o Direito de Nascer.
Penso…logo desisto!
Chega o cansaço físico, e tento forçosamente dormir, borbulhando imagens de degolados, frustrações em massa, esperanças perdidas, rocamboles e trufas, tudo imposto à força, pelo “cazzo” da televisão.
…desejando seu corpo, seus olhos, seus beijos, angustiada e insatisfeita, me entrego inteira…até a próxima programação!
Plin Plin!
AF

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