PÉ NA LUA EM PRETO E BRANCO

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Parece até que foi ontem! Eu ainda criança, bem no final da década de sessenta, vivia feliz e cheia de sonhos, em uma infância plena, não fossem algumas surras que eu levava por levadeza.
Reunidos em uma pequena sala, estávamos todos, assistindo ao programa inédito, em uma televisão preto e branco marca Philips, importada da Holanda, com imagem nos tons de cinza e sem nitidez, mas clara o suficiente,  para que enxergássemos o algo inacreditável para alguns, e impossível até então por toda a história da humanidade. Homens que caminhavam em solo Lunar.
A televisão naquela época, tinha mais credibilidade, quando esboçava seus primeiros romances. Não foi fácil convencer principalmente os idosos, de que, aquilo não era um teatro, uma farsa; foi uma missão tão impossível quanto a dos três heróis!
Nosso povo ainda se fazia inocente. Eu, que acreditava em tudo, estava cristalizada, ruborizada, apaixonada e me sentindo parte da história.
Era uma novidade espetácular, aquela imagem futurística, misturada a frases em inglês e que, vez em quando, sofria um bip bip chiado, por ser também misturada a transmissão de rádio. Uma loucura! O mundo parou, para ver aqueles três homens, valentes e corajosos, que saíram em uma missão, por mais de setenta e cinco horas de viagem, com média de oito mil quilômetros por hora, para pisar na Lua.
Quaisquer crianças do meu tempo se perguntadas, tinham na ponta da língua, o nome daqueles três astronautas. Era de bate-pronto, Armstrong, Aldrin e Collins!
As de hoje, sequer sabem que eles foram os pioneiros, em trazer os primeiros detalhes de como o nosso planeta é azul, que nossos mares e oceanos são também infinitamente lindos, vistos do espaço.
Os norte americanos, transpiravam muito glamour e influência naqueles anos, sobre a nossa geração, que de “fria”, não conhecia a guerra, só a coca cola, o rock invadia todos os meios de comunicação, e o jeans, que refrescava no verão, e aquecia no inverno, chegava pra ficar por todo o sempre.
Tudo o que inventavam, era modelo de correto e moderno. Até mesmo os padrões de beleza criados por lá, e que por serem fielmente copiados, nos fizeram carregar o apelido nada carinhoso de macaquitos.
Era de fazer sonhar, assistir o replay do discurso do presidente John F. Kennedy, ao Congresso Norte Americano em 25 de maio de 1961, prometendo mandar um homem à Lua até o final da década. Ele era tecnicológicamente lindo, loiro de olhos claros.
Oito anos se passaram, e o que talvez tenha sido, a maior vitória tecnológica da nossa história, foi testemunhada pelo mundo todo, naquele 20 de julho de 1969. Os astronautas Armstrong e Aldrin, tocaram a Lua com seus pés.
O mundo nunca mais foi o mesmo depois daquela cobertura ao vivo para a televisão. O comandante, Neil Armstrong, era então o primeiro homem a pisar na Lua. Foi célebre a frase no momento do seu desembarque: “Este é um pequeno passo para um homem; mas um gigantesco salto para a humanidade”.
Em seguida “Buzz” Aldrin se juntou a ele cheio de confiança. Inesquecível.
Muitos foram os que nasceram e receberam seus nomes em homenagem à aqueles heróis, até ouvi certa vez, em uma sala de embarque, um chamado através da fonia, ” Sr Saturno Cinco favor comparecer ao embarque”, juro que fiquei desesperada procurando a vítima dos seus pais. Seria ele parecido com um foguete? Não sei…decolou sem que pudesse vê-lo.
A minha geração ficou marcada pelo Projeto Apollo, e a Lua, passou a nos inspirar de forma diferente, como uma irmã da terra, linda, apaixonada e fonte de inspiração. Eu gostaria de encontrar um caminho que me levasse até lá. Sentaria e ficaria apreciando o meu planeta azul. Não é menos gratificante ser um ground-based astronaut, e ficar daqui, buscando não só visões pelas lentes de um telescópio, como…momentos silenciosos nos quais uso e abuso do seu luar, e me torno sua espectadora. Sempre em preto e branco, como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez.
AF

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