SaiaJustaCalçaCurta!

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Não vou falar daquele poder que as palavras tem, e que, quando ditas ecoam pelo universo e coisa e tal. Nem mesmo das escolhas que fazemos, e que fatalmente nos farão arrepender depois.
Mas sim do poder que elas tem, quando colocadas em momentos que, a única coisa certa seria ficarmos de boca calada.
São situações que nos deixam de saia justa, e porque não de calça curta ( eles também aprontam dessas), mas o fato é que, depois, quando a situação é apreciada de fora, daríamos tudo para voltar o tempo atrás!
Um dia desses, meu telefone tocou às sete da manhã. Era minha amiga me chamando, para a caminhada matinal. Ela estava ansiosa por me apresentar a uma nova amiga do condomínio. Me apressei, e para não atrasá-la (porque não tardou a buzinar)…nem tomei o café da manhã. Bem, saímos felizes, eu toda empolgada, porque andaríamos na beira do lago, e ela, já com aquele cigarro em punho. Minha amiga é uma atleta esporádica.
Nos encontramos com a nova colega e seguimos. Nossa caminhada ia muito bem, se não fosse pelo encontro com um dos jardineiros da área comum, que nos interrompeu, com um cumprimento de bom dia.
Minha amiga: Bom dia senhor! Olha…o senhor foi lá na minha irmã, mexeu no redondo dela (quase cai nesse instante), ficou lindo, e ela ficou muito feliz…eu morri de inveja…então eu quero que o senhor mexa também no meu, que está muito ruinzinho.
O pobre homem ali, travado e escondido atrás de seus óculos fundo de garrafa, nem respirava. Penso que viveu um momento de glória, por seu instinto masculino, até que entendesse do que se tratava.
Eu me apressei em sair andando, me acabando de tanto rir. Depois de alguns minutos fui alcançada por ela, que ainda teve a pachorra de me questionar, do que eu tanto ria.
Bem recebi a seguinte explicação. Tratava-se da mini rotatória que existe em todos os finais das ruas onde moramos, e por coincidência as duas irmãs tem um redondo em frente as suas casas.
Me lembro como se fosse hoje, quando fizemos um grande lançamento imobiliário, e uma das nossas profissionais, estava quase no fechamento. Faltava apenas a analise de crédito, que foi completamente desfavorável. Seu cliente tinha uma extensa ficha de protestos e cheques devolvidos. Enfim…a moça se ausentou, deixando o cliente ali com sua família, todos na expectativa da aprovação. De repente, lá vem ela, com uma folha na mão, puxa a cadeira, olha para o varão da mesa e diz: o senhor não foi aceito porque tem muita capivara!
O cliente: Não!!! Eu só crio cachorro!
E a corretora ficou olhando para aquele homem por quase um minuto, estática, antes de desabar em gargalhadas. Acho que reconhecendo o irreversível da situação.
Na 105 Norte, lá em Brasília, aconteceu um acidente muito sério de moto, com um vizinho, muito amigo de uma das minhas irmãs. Na fatalidade, ele teve um braço arrancado, e só não morreu no local, porque seu atropelador era um médico. Bem, minha mãe como sempre, nos cobrava bons comportamentos sociais, e de pronto insistiu que ela fosse visitar a mãe do rapaz. Mesmo ele estando ainda na UTI.
Resultado. Lá vem a menina chorando copiosamente, porque na sua falta de assunto com a sofrida mãe, afirmou: ainda bem que foi o braço esquerdo!
Resposta aos choros: Ele era canhoto!
É pra querer abrir um buraco no chão e se enterrar com as próprias mãos. Não é?
Essas situações e equívocos nos oferecem visões sobre a natureza humana, ou de nós mesmos, pelas semelhanças, com o que já passamos, ou vivenciamos algum dia.
Mas tudo é culpa dessa maravilhosa língua, e da nossa versatilidade, em dar às palavras muitos mais usos e significados do realmente elas tem.
Eu adoraria saber, quem foi que disse que capivara é sinônimo de ficha suja!
Estava em reunião com um incorporador. Junto comigo, engenheiros, área comercial e uma jovem, representando a agência de marketing. Era a primeira participação dela, em nome da agência.
Tudo corria muito bem, com todas as pautas sendo desenvolvidas tranquilamente. De repente, um telefone vibra duas vezes e dispara uma música.
– “Quem é? Sou eu bola de fogo, e o calor tá de matar. Vai ser na praia da Barra que uma moda eu vou lançar. Vai me en­terrar na areia? Não, não, vou atolar. Vai me enterrar na areia? Não, não, vou atolar. Tô ficando atoladinha. Tô ficando atola­di­nha. Tô ficando atoladinha”.
Silêncio total, enquanto ela desesperada procurava o celular dentro da bolsa. Mas nem São Longuinho ajudou a pobre moça.
Eram só dentes aflorando devagarinho.
O problema não era a música, mas o tal de “atoladinha”, que todos sabíamos não se tratar de nada, impossibilitado de sair do atoleiro.
Sei que todos já assistiram ou já viveram situações engraçadas, causadas por essa ambiguidade das palavras, por falta de pensar antes de falar ou até mesmo por descuido.
Mas… do que é feita a vida, se não de inúmeras quedas, inconvenientes, equívocos, frases mal colocadas, e situações engraçadas ou inesquecíveis?
AF

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