SEM PARAGENS

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Alemanha, janeiro de 2016
A neve e algumas canções que cantarolo para o total silêncio, fazem, da paisagem branca de árvores pretas, supostamente mortas, um cenário perfeito para pensamentos e reflexões, até ouso sonhar. Vejo mais uma década chegando ao fim e mesmo não tendo sido muito galardoada, sou protagonista de muitas páginas de vistoso colorido e cheias de fragmentos rugosos de tecidos, de plumas e paetês nelas colados. Algumas folhas de acetado acizentadas intercalam minhas páginas é fato, mas contrastam com as cores mais fortes, tornando tudo mais belo e intenso.
O caminho que percorro está totalmente tomado por neve e o fog é tão intenso que parece não existir nada a uns metros na minha frente. Com certeza sentiria muito medo se ainda fosse aquela menina que sonhou ser médica, cantora, artista plástica, viajar e viajar, falando muitos idiomas. Para o meu eu menina, nada parecia impossível, pode parecer idiota, eu querer continuar tendo um caderno sem pautas, mas sou assim, exatamente como disse o
Coringa para o Harvey: “Eu sou um cachorro perseguindo carros. Não saberia o que fazer caso alcançasse um.” O sonho é lúdico, e no lúdico nunca existiu certo ou errado, bem ou mal, apenas brincadeiras despretensiosas, desobrigadas e descontraídas. Então vou viver intensamente a minha ludicidade. Vou evocar o mais intenso sentimento de liberdade e espontaneidade de ação.
Já quis casar, ter uma casinha branca de janelas azuis, e um amor para sempre. Mas o tempo passa e com ele até os mais os clássicos vão se adequando, mas a essência…essa não muda, e na grande viagem do nosso nascimento até a nossa morte, quando faremos a última, cabem muitas outras. As viagens não mudam o mundo, as viagens mudam as pessoas e as pessoas mudam o mundo.
A vida é um grande vagão rumo ao desconhecido e não uma única paragem!
Boa viagem!
AF

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