Eu e o Dedo de Deus!

image

Era uma tarde quente, muito quente….
Quem não se lembra e nunca frequentou, aqueles parques de diversão com meia dúzia de brinquedos. Quando eles chegavam em pequenas cidades era uma alegria só. Tinha a roda gigante, os espelhos mágicos, carrossel, chapéu mexicano……………e o tobogã! Ah! O tobogã era especial, por causar um G negativo (aquela sensação de quase prazer) tão grande que hoje poderia ser confundido com outras sensações.
Eu ainda era uma menina, mas acho que Deus apontava seu dedo sempre pra mim, quando queria se divertir um pouco. Porque foram inúmeras vezes que me deixou de saia bem justa sem saber por onde começar a correr. Já estive dentro de um circo que o Leão escapou…e eu fiquei ali cristalizada em meio ao pânico, já tropecei de mini saia em uma escada, e quando virei para trás esperançosa que ninguém estivesse lá, dei de cara com meu amor secreto subindo uns cinco degraus atrás…seis meses sem olhar nem na cara do menino. Já quase morri literalmente na merda, é isso mesmo, eu cai na roça em uma fossa de coleta de dejetos suínos, que seriam mais tarde transformados em adubo orgânico, fui salva por um surdo-mudo e o cabo de sua enxada. Não posso nem sentir cheiro de longe de perfume doce….foram horas em imersão, fora algumas injeções. Em Brasília,em plena festa no charmoso Cisne Branco (barco), saiu um bela briga, seguida de um tiroteio, eu fui a primeira a pular na agua com roupa de festa e salto alto e nadar até o pontão…à noite! E…como esquecer o meu tombo na cachoeira da Maricota, eu bati em tantas pedras que até hoje ninguém consegue explicar como não quebrei um osso sequer. Ali descobri que eu ia ser dura na queda!
Esses e muitos outros momentos me fazem rir muito…mas o tobogã!!! Eu vou contar…
Era uma tarde de domingo, e recebemos visitas em casa para o almoço. Lá estava um primo querido e alguns amigos. De repente, minha mãe me olha e diz, Meyzinha, leva as crianças no parque? Hummmmm tinha que ser eu? Bem, lá tinha o tobogã que eu adorava. Mas junto com o G negativo tinham três baixinhos para eu cuidar. E lá fomos nós. A irmã caçula, o primo e uma amiga que ainda criança, usava uma enorme peruca loira. Tragédia anunciada. Compramos nossos tickets e partimos para a alegria. Coloquei minha irmã e meu primo no chapéu mexicano ou danglê (acho que é esse o outro nome), e fui ao tobogã que ficava bem em frente, com a amiguinha. Aquela enorme subida para segundos de prazer, ops alegria! Nos posicionamos e eu desci feliz com meu saco de estopa. Quando cheguei percebi as pessoas se matando de rir, e quando me viro e olho, lá vem a menina rolando sem o saco e nem a peruca.
Por um momento de maldade eu quis que minha maninha tivesse visto aquela cena, pasmem…quando olhei para a direção do danglê, vi todas as pessoas em baixo correndo desesperadas. Bem eles corriam do xixi que a digníssima maninha fazia lá de cima de tanto rir!
Isso é a mais pura provação, é testar o desejo de sobrevivência, porque naquele exato momento eu queria morrer, e não queria o cabo daquela enxada. Eu juro.
Hoje eu agradeço àquele dedo apontado pra mim! Foram tantas emoções!
AF

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *